Crônica do Cotidiano

Paulo Roberto Machado

Cronista do Dia

Escrevendo sobre o cotidiano com leveza e bom humor, capturando a essência do viver no aqui e agora para proporcionar ótimos momentos de reflexão aos leitores.

Operação Perereca

Crônica de Paulo Roberto Machado com a parceria do ChatGPT  e o Nano Banana 2

Uma missão quase impossível — ou simplesmente adiada.

Ela é verdinha, gosmenta e pequenininha. Deve ter fugido das fortes chuvas que andaram caindo aqui no interior.

No começo, achei estranho o seu coaxar. Estava muito alto.

Mas pensei que ela estivesse lá fora, embaixo da janela.

Resolvi iniciar a “Operação Captura da Perereca”.

Chamei minha amiga Nutelinha. Ela imediatamente se apresentou para a missão. Bateu continência e ficou à espera das ordens.

— Nutelinha, nossa missão é localizar e capturar essa perereca! Disse-lhe eu, em tom autoritário, de quem manda, ou pensa que manda.

Missão dada, missão aceita.

E assim saímos pela casa, de cômodo em cômodo, procurando cumprir a missão e alcançar nosso alvo. Até que descobrimos onde o inimigo estava.

O ser estava atocaiado num canto da cozinha. E, como se soubesse que estávamos atrás dele, coaxava alto, quase nos provocando.

Na minha imaginação, ela deveria estar pulando de alegria:

— Vocês não me pegam! Vocês não me pegam!

Olhei para Nutelinha. Sobrancelha arqueada. Era hora de finalizar a missão. Neutralizamos o alvo! Capturamos a perereca.

Ufa! Que mão de obra!

Confesso que, naquele momento, pensei em extinguir aquele pequeno ser da face da Terra. Mas foi então que percebi Nutelinha me olhando. Era um olhar que dizia claramente:

— Você não vai matar essa perereca, vai?

Aquele olhar me derreteu. E, embora eu estivesse bastante chateado com a bichinha, levei-a para fora e a soltei no jardim.

Pronto, Nutelinha. Missão dada é missão cumprida! Adeus, perereca!

Mas… Como em toda aventura que se preze, sempre há um “mas”.

E o nosso apareceu no dia seguinte. Eu estava tranquilamente na sala, lendo um livro, quando Nutelinha apareceu. Ficou me olhando. Aquele olhar de quem queria dizer:

— Vamos brincar?

— Agora não vou brincar com você, Nutelinha. Estou lendo um livro. Você não percebe?

Ela não se conformou. Insistiu. Ficou impaciente. Roncava baixinho e movendo a cabeça para tráz. Até que resolvi acompanhá-la até o outro lado da casa. Chegando lá, ela parou. Virou-se para mim e ficou olhando firmemente nos meus olhos. Era como se dissesse:

— Preste atenção.

E foi então que ouvimos. Coaxar.

Olhei para Nutelinha. Ela olhou para mim. E ouvimos novamente. Coááááá!

Não era possível. A perereca estava de volta!

E agora?

Mas eis que surge um pequeno problema. A perereca está lá embaixo.

Sim, porque esta casa é um sobrado.

E, pelo barulho, ela deve estar nas proximidades do banheiro.

Confesso que, depois de duas operações, captura, soltura e uma inesperada reincidência, não estou mais tão animado para cumprir a missão.

Olhei para Nutelinha. Ela olhou para mim. Nenhum de nós disse nada. O coaxar veio novamente lá de baixo. Coááááá!

Nutelinha levantou as orelhas. Eu fiquei parado. Acho que ela esperava que eu desse uma nova ordem. Mas, dessa vez, preferi não me manifestar. Afinal, há momentos na vida em que é preciso reconhecer a superioridade do adversário. E aquela perereca, definitivamente, havia demonstrado uma capacidade estratégica impressionante. Primeiro, invadiu a casa. Depois, foi capturada. Foi libertada. Voltou no dia seguinte. E agora estava lá embaixo, perto do banheiro, esperando que eu descesse novamente para continuar a brincadeira.

Não vou. Pelo menos por enquanto.

Nutelinha continua de prontidão. Eu continuo aqui em cima, lendo. E a perereca continua lá embaixo, coaxando. Talvez esteja rindo da nossa cara. Talvez esteja apenas procurando um lugar quentinho para passar a noite. Ou talvez esteja preparando sua próxima missão. Só sei de uma coisa: desta vez, a missão está suspensa.

Missão dada é missão cumprida? Nem sempre. Às vezes, missão dada é missão adiada. Principalmente quando o inimigo é pequeno, verde, gosmento… e está perto do banheiro.

Fim. Ou melhor… por enquanto.

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