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A Importância do Desapego – Psicóloga Meiry Kamia

Todo o universo funciona através de ciclos como o ciclo dos dias, dos meses, anos, estações do ano, ciclo da vida, estágios de desenvolvimento, etc. Portanto, tudo está em movimento, tudo tem seu início e seu fim.

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sicóloga Meiry Kamia

Nesse pensamento, desapegar-se do que já passou é algo esperado, natural e saudável.

Entretanto, nós, ocidentais, temos uma dificuldade para compreender e aceitar os ciclos de nossas vidas, principalmente os términos dos mesmos. Adoramos iniciar os ciclos: festejamos o nascimento dos filhos, os inícios dos namoros, a abertura das empresas, gastamos fortunas com as festas de casamento, etc, mas por outro lado, sofremos muito quando os ciclos terminam. Simplesmente não sabemos lidar com a situação quando o casamento acaba, quando a empresa precisa fechar, quando temos que lidar com a morte… não sabemos fechar os ciclos. E é justamente aí que surge o sofrimento.

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Quando insistimos em permanecer numa fase que já se foi acabamos por causar sofrimento não só a nós mesmos como também a quem está a nossa volta. É o caso, por exemplo, do(a) filho(a) já maduro(a), que se recusa a assumir as responsabilidades da vida, que teima em permanecer na postura da criança de dez anos, que é totalmente dependente dos pais, não demonstra nenhuma vontade para trabalhar estudar e ainda faz birras quando não consegue o que quer.

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Outro exemplo de sofrimento trazido pelo apego é o do (a) ex-amante que insiste em permanecer num relacionamento que já não existe mais. Durante a fase da paixão, sua mente criou um espectro de casal perfeito, e ele (a) se identificou com essa imagem desejando eternizar o momento. Mas quando a outra pessoa lhe diz que não deseja mais o relacionamento, a mente do (a) agora ex-amante está tão identificada com a imagem-fantasma que ele(a) mesmo(a) criou, que não consegue aceitar a realidade. Não aceita que a outra pessoa já não o(a) deseja mais ao seu lado, e insiste no relacionamento falido, causando sofrimento a todos.

Às vezes, criamos espectros de nós mesmos e nos apegamos a essas imagens. Há pessoas que sofrem demais ao lidar com limitações financeiras, pois em tempos anteriores viveu momentos de abundância financeira, que hoje já não existem mais. E assim, sofrem por não poderem ostentar o estilo de vida e as parafernálias que fazem parte da imagem criada.

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O apego ocorre por duas questões básicas: a primeira está relacionada ao desejo de felicidade. A segunda está relacionada ao medo do sofrimento. Somos seres “traumatizados” por experiências infelizes anteriores e, como não desejamos sofrimento, procuramos nos defender fugindo de qualquer situação que se pareça minimamente com as situações de sofrimento anterior. Sendo assim, criamos imagens em nossas mentes daquilo que seria a situação ideal para afastar o sofrimento e nos aproximar da felicidade. Tendemos a “comprar” a imagem mais fácil e mais divulgada pela sociedade, a configuração: casa, carro, família e emprego estável. Pensamos que tendo domínio sobre essas coisas teremos mais chances de sermos felizes. E é daí que também nascem as sensações de controle e posse.

Entretanto, a imagem é estática, mas nossas vidas não. E tão logo, acabamos de, por exemplo, pagar o carro, alguém vai lá e dá uma “ralada” nele. Pronto! Nosso momento de felicidade se vai por água abaixo, e já estamos em sofrimento novamente.

Então, o que é o ideal? O ideal é que aceitemos a dinâmica da vida e seus altos e baixos. Aceitar que as coisas vêm e vão, não nos apegar por demasiado nem nas coisas, nem nas pessoas, nem nas emoções, nem nas ideias, porque tudo passa. Isso não significa viver de forma amorfa, sem emoção, sem compromisso, ao contrário, é viver intensamente cada momento, absorvendo as verdadeiras lições de cada etapa de nossas vidas e saber que aquele momento irá passar, tanto os sofrimentos quanto os momentos de felicidade.

Se você tivesse dez anos de idade e alguém pedisse para você se descrever, com toda certeza, você se descreveria de forma muito diferente da atual. Talvez você dissesse: eu sou fulano, filho de cicrana, sou estudante da escola “x”, etc. E hoje, talvez você respondesse eu sou fulano, casado com beltrana, pai de dois filhos, engenheiro, trabalho na empresa “x”, etc. Perceba que, assim como os cenários das nossas vidas mudam, nossas identidades também mudam.

Quando aceitamos a dinâmica da vida, das pessoas, e de nós mesmos, passamos a entender que não é possível controlar o mundo. As pessoas mudam, nós mudamos. Ontem você poderia estar apaixonado por alguém que hoje já não suporta olhar na cara. Hoje você pode estar passando por uma dificuldade financeira que poderá nunca mais se repetir no futuro. Quando você comprou seu primeiro carro, pode ter zelado exageradamente por ele, mas hoje… não sente a mínima falta do seu primeiro carro, nem lembra dele, e vive muito bem, obrigado!

Quando abrimos mão do controle, automaticamente, abrimos caminho para o desapego, não só das questões materiais como também das identidades que assumimos durante a vida. Isso nos ajuda muito a lidar com as questões relacionadas à culpa.

A culpa e o rancor nos aprisionam a uma identidade que talvez nem exista mais. Às vezes, falamos e fazemos coisas a outras pessoas, das quais nos arrependemos profundamente. Mas a partir do momento em que decidimos não mais repetir atos que geraram tamanho sofrimento, automaticamente, deixamos de ser aquela pessoa que cometera tais atos e assumimos uma nova consciência e postura na vida. Culpa e rancor são sentimentos ligados à questões do passado. Não há como mudar o passado. Mas podemos mudar o presente e o futuro. A história negativa que se passou pode funcionar como lição e parâmetro sobre “o que não fazer”, e pronto! O aprendizado já foi feito. Desapegar-se desses sentimentos negativos que geram sofrimento para nós mesmos também é um aprendizado.

Você até pode pedir perdão ao outro pelo sofrimento que você causou, entretanto, obter o perdão do outro já não está sob o seu domínio, e isso passa a ser um problema dele e não seu. Saber separar o que é nossa responsabilidade e o que é do outro também é um aprendizado.

Não estou querendo dizer que podemos sair fazendo e falando todas as coisas que queremos seguindo impulsos, ao contrário, guiados pela consciência da lição aprendida é que nos tornamos ainda mais responsáveis pelos atos futuros.

Aceitar a impermanências das coisas e das pessoas é aprender a viver de forma mais leve, sem tantas expectativas e, portanto, menos frustrações e aborrecimentos. É aprender a amar de verdade apenas pelo momento, deixando as pessoas que amamos livres para irem e voltarem quando desejarem nossa companhia, sem ciúmes, sem controle, e, portanto, sem frustrações e decepções, sem raivas e rancores, que são gerados pelo sentimento de posse.

É aprender a ser generoso fazendo favores e servindo aos outros por vontade própria apenas porque deseja fazer, e não fazer coisas esperando algo em troca. É aprender que quando perdemos algo, ou alguém, na verdade, não perdemos. Porque, de verdade, não possuímos nada, muito menos alguém, apenas usufruímos por tempo limitado de alguns objetos que nos servem e da companhia das pessoas. É aprender que assim como os problemas passam, os momentos de alegria também passarão e, com isso, aprender a vivenciar os momentos de alegria e não teimar em eternizar esses momentos.

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Psicóloga Meiry Kamia no Mais Você com Ana Maria Braga.

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional e Docente em MBA de Gestão de Pessoas. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. Site: www.meirykamia.com

contatos: 11-2359-6553; [email protected]

Sobre Paulo Roberto Machado

Jornalista e Radialista Profissional, graduado em Comunicação Social e Pós Graduado em MKT pela PUC de Campinas, trabalhou, em Campinas e em São Paulo, durante anos na Rede Globo de Televisão - TV e Rádio, na Bandeirantes - Rádio e TV e na antiga TV Manchete como repórter, editor e apresentador e âncora de Telejornais e programas de Debate. Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Ágape.

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