
O interessante é que, vez em quando, aos domingos, no meio da manhã, ela passa pelas ruas tocando sua sanfona. Vai visitar sua mãe que mora do outro lado e depois volta. Tudo ao som da velha sanfona….
A Arte de Tocar Sanfona: O Coração da Música Expressado em um Fole!
Existem instrumentos que acompanham a melodia, mas a sanfona faz algo diferente: ela dita o ritmo da batida do coração de quem a escuta. Seja no choro do fole ou na alegria de um forró pé-de-serra, tocar sanfona é traduzir a própria alma em som.
O que torna esse instrumento tão mágico e, ao mesmo tempo, tão desafiador é a dança da coordenação e do sentimento.
- O Teclado: Onde nascem as notas e a voz da música.
- Os Baixos: Onde pulsa o ritmo, do baião ao xote, da rancheira à milonga.
- O Fole: Onde mora a expressão. É o abrir e fechar do fole que coloca sentimento, crescendo e suavidade em cada nota.

Meu pai, durante uma fase importante da sua vida, trabalhou numa fábrica de sanfonas. Ele não gostava desse nome então dizia que eram harmônicas. Quando me contava a magia de preparar o celofane para encapar a madeira, seus olhos brilhavam e então me explicava que a pessoa, ao decidir aprender a tocar a harmônica, ou sanfona, logo percebe que não se trata apenas de ler partituras ou decorar posições de dedos. O instrumento é pesado, abraça o peito do músico e vibra diretamente contra o seu corpo.
Sentir a vibração de cada acorde no próprio peito cria uma conexão espiritual entre o sanfoneiro e sua arte. É por isso que cada instrumentista tem um sotaque único na sanfona — o fole obedece ao ritmo do coração de quem o puxa.


