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O EMPREGO DO FUTURO – Por Meiry Kamia

Se você acha que as mudanças estão acontecendo rápido demais, prepare-se porque a tendência é piorar. Esse é o ponto de vista de João Zuffo, autor do livro “A sociedade e a economia do novo milênio”. Para ele, o avanço da tecnologia e a velocidade da informação causarão ainda mais mudanças principalmente no âmbito do trabalho.

Meiry Kamia – Psicóloga

Essa visão é compartilhada com o sociólogo Manuel Castells, autor do livro “Sociedade em rede”. Ambos os autores apontam para mudanças drásticas nas características do trabalho. Veja aqui os oito principais pontos da mudança:

Declínio do emprego assalariado: haverá um aumento do trabalho autônomo, que será organizado por meio de cooperativas de trabalho. Isso significa que o emprego estável como conhecemos será cada vez mais raro e veremos os trabalhos tipo “empreitada” tomarem cada vez mais espaço. Isso porque as células de trabalho são muito mais rápidas para o desenvolvimento de projetos do que grandes estruturas.  Também exigirá do trabalhador que ele mostre constantemente seu valor à empresa contratante, já que o futuro também prevê altos índices de desemprego.

Horários de trabalho flexíveis: assim como já começa a ocorrer na Europa, existe a tendência da diminuição da carga horária de trabalho, e a ênfase no trabalho por metas.

Declínio da liderança centralizada: trabalhos voltados para metas exigirão equipes flexíveis, que podem se renovar a cada projeto. E, com isso, a necessidade de lideranças situacionais que mudam a cada projeto

Ênfase nas empresas desprovidas de cargo: a velocidade de resposta das empresas para as necessidades dos clientes se tornará um diferencial, portanto, toda burocracia deverá ser eliminada.

Ênfase no teletrabalho e escritório móvel: veremos um número cada vez maior de trabalhadores que trabalham fora do local de trabalho, em casa, em trânsito, no espaço do próprio cliente, etc.

Valorização da criatividade: para atender clientes cada vez mais exigentes, com produtos personalizados, a criatividade entrará como um fator que será muito valorizado pelas empresas. Criatividade juntamente com arte, ciência e tecnologia serão a onda do futuro.

Ênfase na educação continuada: como o grande diferencial dos trabalhadores será a capacidade de processar uma quantidade imensa de informações, o conhecimento será a chave para o sucesso. Os currículos escolares serão mais flexíveis e cursos e recursos online serão muito utilizados, diversificados e personalizados. O estudo contínuo e o autodesenvolvimento serão absolutamente necessários para o sucesso profissional.

Mais tempo para o ócio: a redução da carga horária de trabalho, o formato de trabalho por empreitadas, o teletrabalho, trarão mais tempo livre para as pessoas e o consequente crescimento das áreas de entretenimento, cuidados com a própria saúde e busca espiritual.

Como podemos perceber, para acompanhar esse novo cenário de trabalho, novos comportamentos serão exigidos. Veja os comportamentos imprescindíveis para ter sucesso no mercado de trabalho do futuro:

  • EMPREENDEDORISMO: a diminuição dos empregos formais, o aumento dos trabalhos autônomos e o aumento do desemprego farão com que o trabalhador tenha que assumir a postura de empreendedor, como se ele fosse o dono do próprio negócio, apresentando comportamentos empreendedores, a saber:  buscar oportunidades, mostrar o seu valor antes mesmo de ser contratado, ser capaz de solucionar problemas, assumir responsabilidades, mostrar iniciativa, etc. ;
  • COMUNICAÇÃO: bom domínio não só da língua portuguesa, como também de um segundo e terceiro idiomas. Além disso, o domínio dos elementos que compõem a comunicação se tornará essencial (tom de voz, expressão facial e corporal, utilização de recursos, dar e receber feedbacks, comunicação escrita, etc);
  • TRABALHO EM EQUIPE: o aumento da complexidade da tecnologia e quantidade de informações tornará impossível um trabalho ser executado sozinho. Por isso, a tendência é que se juntem, em equipes, pessoas com conhecimento especializado em diversas áreas. Será imprescindível saber fazer parte de equipes de trabalho. Portanto, negociar, mostrar iniciativa, pedir e oferecer ajuda, compartilhar, comprometimento, etc, serão posturas e comportamentos valiosos que garantirão o sucesso do trabalho;
  • CRIATIVIDADE: “sair da caixinha” – é isso o que os clientes exigirão cada vez mais. A queda das fronteiras possibilitada pela ligação das redes de internet, nos trouxe a consciência do quão pequenos somos nesse mundo. Essa sensação de pequenez trará a necessidade de diferenciação e, com ela, a busca de produtos cada vez mais personalizados.
  • ESTUDO CONSTANTE: a fabricação de informação em todas as áreas é crescente. A capacidade de assimilar, processar e transformar tais informações são habilidades fundamentais para o trabalhador do futuro. Isso exigirá um esforço constante para manter-se informado e reciclar conhecimento, portanto, o autodidatismo estará em foco.
  • ADAPTABILIDADE: a flexibilidade e a capacidade de adaptação às novidades que surgirão tanto nas questões relacionadas à tecnologia como eventualidades do trabalho serão diferenciais para os profissionais que desejam se destacar. 

MEIRY KAMIA: Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional, autora do livro MOTIVAÇÃO SEM TRUQUES”. Consultora convidada em Gestão de Pessoas da TV GLOBO – Programas JORNAL HOJE, ENCONTRO com FÁTIMA BERNARDES e MAIS VOCÊ. Comentarista sobre Comportamento no Trabalho do PROGRAMA TRIBUNA INDEPENDENTE – REDE VIDA. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia.

www.meirykamia.comatendimento@meirykamia.com

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Nós também sabemos que existe uma longa distância entre o discurso e a prática.

Grande parte dos problemas de equipes gira em torno dos relacionamentos interpessoais. É comum observarmos: conflitos de interesse, conflitos de ideias, disputas de egos, birras, fofocas, esquivas de responsabilidades, etc.

Aprendemos desde pequenos a defendermos a nossa individualidade, desejos, ideias, necessidades, etc. Por um lado, isso é positivo porque demonstra boa autoestima, mas dependendo do grau, ligar-se demais às próprias necessidades em detrimento do grupo, pode causar sérios problemas quando o assunto é trabalho em equipe.

Saber trabalhar em equipe exige maturidade psicológica, e isso nada tem a ver com a idade cronológica. Da mesma forma como vemos uma criança fazendo birras quando sua mãe não pode lhe comprar um brinquedo, porque é incapaz de compreender que a mãe não tem dinheiro para esse gasto extra. Também é possível vermos adultos, até mesmo com idade avançada, fazendo birra quando sua ideia não é aceita, ou quando ouviu algum comentário desagradável. Atitudes individualistas ou egocêntricas também são observadas em falas do tipo “eu sou mais eu”, “não sou trouxa”, “cada um com seus problemas”, “isso não é comigo, é problema seu”, etc.

Pessoas imaturas psicologicamente, diante de impasses e conflitos, apresentam dificuldade em dialogar. Insistem em utilizar artifícios infantis, que trouxeram da infância, tais como a birra, o silêncio, o afastamento, maldizer pelas costas, etc, mas não percebem que tais recursos não são nem positivos, nem úteis, ao contrário, contaminam o clima da equipe e desvia a atenção das questões realmente importantes.

Somado à questão da imaturidade, ainda temos um traço cultural nacional brasileiro, que reforça o comportamento individualista. Tal traço cultural foi herdado do período escravocrata e reproduz as relações que envolviam o trabalho daquela época, que é o gosto por “tirar vantagem” das situações e relações em benefício próprio, e que está incluso no tal “jeitinho brasileiro”. Assim, aprendemos desde o período escolar a participar de grupos de trabalho apenas para ganhar nota e não para contribuir realmente. Nesse tipo de relação de trabalho, apenas o “nerd” trabalha enquanto que os “espertos” recebem a nota final. Ainda hoje, podemos ver tais comportamentos sendo reproduzidos nas equipes de trabalho das organizações.

A competitividade também é outro fator que trabalha contra a maré do trabalho em equipe. Esse traço é muito observado no mundo do futebol, em que o zagueiro do time é vangloriado, ganha um salário milionário, em detrimento do restante do time. Ou seja, a equipe toda executa o trabalho, mas apenas o esforço de um é reconhecido. Isso faz com que desejemos ser esse único. Portanto, competir torna-se o caminho para o sucesso. Há pessoas que ficam tão viciadas em competir que acabam levando esse comportamento para as relações pessoais, competindo até mesmo com o cônjuge, querem estar sempre certas e tendo uma necessidade de impor suas vontades o tempo todo.

Como podemos perceber o termo “trabalho em equipe” é, em algumas circunstâncias, algo “desejável” e não uma realidade. Para que as equipes possam funcionar bem é preciso mudar o paradigma, o modelo mental, do individualismo para o coletivismo, e investir em Maturidade.

Pessoas maduras são menos egocêntricas porque conseguem compreender que as outras pessoas são diferentes em suas histórias, crenças, valores, etc, e, portanto, com necessidades diferentes das suas.

Pessoas maduras buscam o bem comum e respaldam-se nas relações ganha-ganha. Ao passo que, na competição só há espaço para apenas um ganhador e os demais serão sempre perdedores. A cooperação traz o respeito mútuo e a necessidade de desenvolver habilidades de negociação, que significa saber abrir mão de uma parte do que deseja, e também lutar por suas necessidades, sem prejudicar o resultado em comum.  

Ações de cooperação também elevam o espírito, despertando o desejo de fazer bem ao próximo, ajudar sem receber nada em troca, trazer benefícios para as pessoas e para o ambiente, a cooperação traz a consciência de que nós também somos “todo mundo”, portanto, ao fazer o bem aos demais, também beneficiamos a nós próprios.

Para desenvolver o espírito de cooperação, as empresas devem incentivar o diálogo, a discussão de ideias (não a disputa), trabalhos cooperativos, investir em treinamento em comunicação e habilidades sociais, etc. Com essas ações, as empresas criam condições favoráveis para o amadurecimento emocional de seus funcionários, e o resultado será sempre positivo, pois o desempenho da equipe será  sempre maior que a individualidade de cada componente. 


MEIRY KAMIA: Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional, autora do livro “MOTIVAÇÃO SEM TRUQUES”. Consultora convidada em Gestão de Pessoas da TV GLOBO – Programas JORNAL HOJE, ENCONTRO com FÁTIMA BERNARDES e MAIS VOCÊ. Comentarista sobre Comportamento no Trabalho do PROGRAMA TRIBUNA INDEPENDENTE – REDE VIDA. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. www.meirykamia.comatendimento@meirykamia.com

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Como combater a timidez.  por Meiry Kamia*

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Assisti ao programa Mais Você e foi abordado o assunto: Timidez. Gostaria de sugestões de materiais de livros, vídeos sobre o assunto. Sou muito tímida e gostaria de melhorar. Obrigada, Gisela.

Olá Gisela! A única forma de vencermos o medo é justamente fazendo o que mais tememos. A resposta para sua pergunta não está nos livros e sim em você mesma, porque o problema não é saber “o que” fazer, e sim, simplesmente “fazer”. O que existe é uma “trava” psicológica que a impede de ser espontânea, ou seja, falar sem o medo de ser julgada. Como disse no programa, os maiores críticos e carrascos estão dentro de você. Se você não se permite errar, se não aceita que pode errar, não se dará a chance de tentar, e, por medo de errar, não faz. E esse ciclo se retroalimenta te deixando cada vez mais aprisionada e frustrada.

 

O problema está na autoestima. Você só se aceita se for perfeita, e rechaça todo seu lado negativo. E aí mora o medo de expor suas opiniões e participar dos eventos sociais. Você tem muito medo que as pessoas percebam que você não é perfeita, e não te aceitem. Isso ocorre porque o seu foco não está nos seus pontos positivos e sim nos pontos negativos. Provavelmente, o tempo todo você fica pensando em o quanto se sente mais feia que sicrana, ou mais burra que beltrana, etc. Sempre pensa em si mesma de forma negativa e sempre comparando com outras pessoas. Para vencer a timidez tente seguir esses passos:

O PRIMEIRO PASSO é começar a gostar de si mesma, para isso é preciso que conheça e valorize seus pontos positivos. Parece que os pontos negativos você já conhece bem. Perceba o que faz de bom, quais são suas maiores habilidades, que tipos de assuntos lhe interessam (isso lhe ajudará a puxar e manter conversas), etc. Assim você diminui a sensação de ser “um nada” perto de outras pessoas. Aceite também que tem um lado negativo, que não é perfeita. Seja humilde.

SEGUNDO PASSO é rebaixar o crítico interno, e isso deve ser feito de forma muito consciente. Toda vez que sentir pensamentos que irão travar sua espontaneidade, lute contra eles, pensando em outra coisa. Não alimente pensamentos negativos nessas horas. O medo de falar alguma bobagem em público faz com que você fique calada em eventos sociais porque tem medo do julgamento do outro. Lembre-se, o crítico está na sua cabeça. Nem sempre os pensamentos que estão na sua cabeça estão na cabeça dos outros. Se por acaso cometer “uma gafe”, perdoe-se! assim como faz com outras pessoas. Se você não é capaz de perdoar erros alheios, terá muita dificuldade em fazer isso com você mesma.

TERCEIRO PASSO é correr o risco, é fazer! Comunicar-se bem, ser espontânea, são habilidades que devem ser exercitadas, quanto mais você fizer, melhor se tornará. Aproveite todas as oportunidades que tiver para conversar com desconhecidos (na fila do banco ou do cinema, em festas, etc), nem que seja para falar um “oi”, ou falar sobre “como está o tempo”, o que importa é que você veja que realmente está trabalhando a seu favor. E, se por acaso, passar alguma vergonha, verá que vergonha não mata!

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* MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Autora do livro “Motivação Sem Truques”. Ilusionista premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais com mágicas e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. Site: www.meirykamia.com; contatos:  11- 2366-9002 / 11-2359-6553; contato@meirykamia.com

 

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Sobre Paulo Roberto Machado

Jornalista e Radialista Profissional, graduado em Comunicação Social e Pós Graduado em MKT pela PUC de Campinas, trabalhou, em Campinas e em São Paulo, durante anos na Rede Globo de Televisão - TV e Rádio, na Bandeirantes - Rádio e TV e na antiga TV Manchete como repórter, editor e apresentador e âncora de Telejornais e programas de Debate. Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Ágape.

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