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Mulheres no Exército de Israel: Aumentam os crimes sexuais.

Israel é um dos países mais desenvolvidos do mundo. Mesmo assim, o número de queixas quanto a crimes sexuais no Exército Israelense aumentou consideravelmente. Pulou de 777 em 2012 para 930 em 2013 e 1.073 em 2014. Os dados revelam que o ser humano preserva o seu lado animal, apesar da ciência e tecnologia.

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As reclamações sobre estupro e casos mais violentos também estão em alta: de 6 em 2013 para 8 em 2014 e 12 em 2015. Para os especialistas, o aumento reflete uma alta na conscientização sobre os crimes sexuais. Principalmente depois de 2012, quando o Exército criou o Centro Mahut (essência, em hebraico), ao qual soldadas e soldados podem fazer reclamações anônimas.

**FILE** Golani Brigade Commander Ofek Buchris (L) seen during a visit Tel Hashomer army base on November 22, 2010, IDF Brigadier General Ofek Buchris was suspended earlier this week after after being suspected of sexually assaulted a at least two female soldier that was under his command for the last few years. Photo by Flash90
Golani Brigade Commander Ofek Buchris (L) seen during a visit Tel Hashomer army base on November 22, 2010, IDF Brigadier General Ofek Buchris was suspended earlier this week after after being suspected of sexually assaulted a at least two female soldier that was under his command for the last few years.

O caso mais recente foi o do brigadeiro Ofek Buchris, 47. Ele era um dos cotados para chefiar as Forças Armadas israelenses até que uma soldada alegou ter sido violada, sodomizada e assediada sexualmente por ele.

Ofek Buchris

Ofek chegou a passar pelo detector de mentiras para provar que era inocente e só foi condenado quando novas denúncias de abuso sexual apareceram.

Acusações de crimes sexuais levaram para a prisão um ex-presidente de Israel.

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Moshe Katzav ex-presidente de Israel

Moshe Katzav, que ocupou a presidência de Israel entre 2000 e 2007, jurou inocência, mas não adiantou.

Foi acusado de estupro por duas mulheres, quando era ministro do Turismo, nos anos 90. Ele também foi acusado de atentado violento ao pudor, assédio e obstrução da Justiça, quando já era presidente.

O caso chocou o país. Foi a primeira vez que um ex-presidente de Israel foi mandado para a prisão.

O presidente Shimon Peres, na época, afirmou que a condenação é uma prova de que ninguém está acima da lei.

Moshe Katzav cumpre pena de 7 anos de prisão.

 

 

SEGREDO CONHECIDO

O assédio sexual no Exército israelense, no entanto, é uma espécie de “segredo conhecido” há décadas.

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Há até pouco tempo, os militares eram vistos quase como celebridades, mesmo quando o tratamento dispensado às mulheres era duvidoso. Um dos maiores exemplos é o do mitológico general Moshe Dayan, que protagonizou uma série de romances extraconjugais.

Moshe Dayan

Em sua autobiografia, sua primeira mulher, Ruth, escreveu que o ex-marido “não tinha bom gosto quando se tratava de mulheres”. Foi a filha do casal, a ex-parlamentar Yael Dayan, que legislou a primeira lei contra o assédio sexual, em 1998.

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Um recente programa de TV chocou o país ao apresentar testemunhos sobre outro ex-general mitológico, Rehavam “Gandi” Zeevi, morto em 2001 por palestinos durante a Segunda Intifada. Segundo o programa, Zeevi costumava estuprar militares mulheres em seu escritório e comprar seu silêncio com dinheiro.

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A natureza do serviço militar, com bases afastadas e o trabalho em conjunto intenso, além do ambiente masculino, ainda é um desafio para as soldados –que, no passado, eram apenas secretárias ou serviam cafezinho.

Mulheres israel

Israel é o único país do mundo onde mulheres precisam servir no Exército (dos 18 aos 20 anos). Como o alistamento é obrigatório, o Exército espelha a sociedade civil de Israel.

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May Fatal denunciou os abusos na sua página do Facebook.

Em abril de 2015, a soldada May Fatal, por exemplo, tomou coragem e acusou publicamente o coronel Liran Hajbi de assediá-la por meses. Ele foi rebaixado e dispensado. Mesmo assim, Fatal foi acusada, nas redes sociais, de querer manchar a reputação das Forças Armadas.

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“Há os que vão preferir lembrar as medalhas e os prêmios (de Hajbi), mas eu só me lembro de suas ações repulsivas contra mim. Um herói de Israel (…) não está acima da lei”, escreveu Fatal no Facebook.

Sobre Paulo Roberto Machado

Jornalista e Radialista Profissional, graduado em Comunicação Social e Pós Graduado em MKT pela PUC de Campinas, trabalhou, em Campinas e em São Paulo, durante anos na Rede Globo de Televisão - TV e Rádio, na Bandeirantes - Rádio e TV e na antiga TV Manchete como repórter, editor e apresentador e âncora de Telejornais e programas de Debate. Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Ágape.

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